Partido promete apoiar o fim do modelo atual, mas autora do projeto original classifica a ação como uma tática para atrasar a votação.
O Partido Liberal anunciou uma reviravolta na sua postura dentro da Câmara dos Deputados e garantiu que vai apoiar o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso. O líder da legenda, o deputado Sóstenes Cavalcante, declarou que a sigla votará a favor dessa mudança e ainda apresentará um destaque para tentar implementar uma semana com quatro dias de serviço e três dias inteiros de folga.
Durante um discurso no plenário, o parlamentar lançou um desafio aos políticos do Partido dos Trabalhadores para provarem que realmente querem beneficiar a classe trabalhadora apoiando o modelo mais curto. O tema está na pauta de uma comissão especial que precisa avaliar o texto elaborado pelo deputado Leo Prates.
O documento oficial sugere uma redução da carga horária das atuais quarenta e quatro para quarenta horas semanais, estabelecendo um prazo de quatorze meses de adaptação após a possível aprovação da emenda constitucional.
O relatório foi entregue na última segunda após atrasos no cronograma, mas a votação acabou sendo suspensa devido a um pedido de mais tempo de análise feito pelo deputado Mauricio Marcon. Para contornar essa barreira regimental e cumprir a exigência de duas sessões no plenário antes da retomada do processo, a Câmara realizou um encontro de curtíssima duração, com apenas oito minutos, na manhã desta quarta.
A reunião foi comandada pelo deputado Charles Fernandes e serviu exclusivamente para discursos, tendo Jorge Solla como único orador a defender a pauta trabalhista. A estratégia dos parlamentares é aprovar a proposta na comissão e levá-la de imediato ao plenário principal ainda hoje.
A nova posição do Partido Liberal provocou duras críticas da autora da proposta original. A deputada federal Erika Hilton avaliou a atitude como uma manobra puramente política de um grupo que sempre atuou nos bastidores contra o avanço do projeto.
De acordo com a parlamentar, a oposição tem sofrido grande pressão da sociedade civil e a promessa de apoiar a escala de quatro dias seria apenas uma forma de limpar a própria imagem pública. Ela questionou a lealdade da sigla até o fim do trâmite e alertou que o verdadeiro propósito dessa movimentação pode ser o atraso de um acordo já consolidado entre os líderes da Casa.




