Encontro em Paris busca reduzir dependência de fornecedores externos enquanto atritos entre Estados Unidos e Europa desafiam a coesão do bloco
Os ministros do Comércio das principais potências globais iniciaram discussões nesta quarta-feira, em Paris, com o objetivo central de estabelecer estratégias conjuntas para o suprimento de minerais essenciais. A iniciativa visa diminuir o controle exercido pela China sobre esses recursos, que são fundamentais para a indústria tecnológica moderna.
No entanto, o clima de cooperação enfrenta obstáculos devido às recentes sinalizações de Washington sobre a imposição de novas tarifas contra a indústria automobilística europeia, o que coloca em risco a harmonia necessária para decisões coletivas.
O governo francês, que exerce a presidência atual do grupo, defende que a segurança no abastecimento desses materiais seja um dos resultados práticos mais relevantes para a próxima cúpula de líderes. Ao chegar para as rodadas de negociação, o ministro do Comércio Exterior da França, Nicolas Forissier, ressaltou a importância de proteger as cadeias de suprimento globais para evitar que as nações fiquem vulneráveis a decisões políticas de fornecedores específicos.
Segundo ele, espera-se um avanço sólido na proteção de terras raras e minerais críticos durante o encontro.
Embora exista um entendimento comum entre os membros sobre a urgência de diversificar as fontes de matéria-prima para além do mercado chinês, os bastidores indicam que ainda há divergências sobre os métodos para alcançar essa independência. Esse cenário de incerteza é agravado pela postura do presidente norte-americano, Donald Trump, que manifestou a intenção de elevar as taxas sobre veículos produzidos na União Europeia de 15% para 25%.
A justificativa apresentada por Washington é um suposto descumprimento, por parte de Bruxelas, dos termos de um acordo comercial firmado anteriormente na Escócia.
Essa possível escalada tarifária atinge diretamente a economia da Alemanha, cuja indústria automobilística já lida com desafios severos, como a queda na demanda asiática e o aumento nos custos de produção. A ministra da Economia alemã, Katherina Reiche, confirmou que mantém diálogos diretos com representantes dos Estados Unidos na tentativa de mitigar esses impactos.



