No Dia Nacional da Vacinação, médico alerta para fake news sobre o tema

A vacina está entre as medidas mais eficazes de prevenção a doenças, estimulando o corpo a produzir respostas imunológicas que protegem contra vários tipos de microorganismos. Desde a criação da primeira vacina, em 1776, pelo britânico Edward Jenner, milhares de vidas foram salvas em todo o mundo. No entanto, nos últimos anos um movimento contrário a vacinas vem colocando em risco esse legado.

O movimento ‘antivacina’ presta um enorme desserviço à sociedade, na medida em que muitas pessoas estão deixando de se vacinar globalmente. Devido a isso, doenças consideradas controladas ou até mesmo erradicadas estão ressurgindo. O Dia Nacional da Vacinação, celebrado em 17 de outubro, vem alertar a população do Brasil para os riscos de não manter o cartão de vacinação em dia.

“Vejo o movimento antivacina como um problema muito grave, gerado a partir da desinformação de parte da população. Isso deve ser combatido de forma veemente pela imprensa e pela sociedade. As vacinas, de maneira geral, foram um dos maiores avanços da humanidade. Doenças que matavam muito foram erradicadas e outras controladas graças às vacinas”, afirma o infectologista e consultor médico do Sabin, Marcelo Cordeiro.

Ele ressalta que vacinar é uma das formas mais efetivas e de menor custo para se reduzir a mortalidade, lembrando que é por meio das vacinas que as mortes de 2,5 milhões de crianças podem ser prevenidas todos os anos no planeta. “A decisão de não se vacinar coloca em risco o progresso no combate às epidemias evitáveis por imunização”, destaca.

De marola a onda

O movimento antivacina ganhou asas após a publicação, em 1998, na revista científica The Lancet, de um texto que relacionava a vacina tríplice viral a casos de autismo em crianças. Por ironia, o texto foi assinado por um compatriota do criador da vacina, o também britânico Andrew Wakefield. Em 2010, descobriu-se que ele forjou os dados da pesquisa, mas o ‘estudo’ já tinha virado ‘bandeira’ contra a imunização. Com a popularização da internet, nos últimos anos, a situação só piorou e o que começou com uma marola virou onda de fake news sobre o assunto, confundindo cada vez mais o público leigo.

A relutância de algumas pessoas em se vacinar ou vacinar seus filhos é considerada pela comunidade científica preocupante. A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu o movimento ‘antivacina’ em seu relatório como um dos dez maiores riscos à saúde global a serem combatidos em 2019.

Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), nos últimos dois anos, a meta do Brasil de ter 95% da população vacinada não foi alcançada. A cobertura vacinal contra poliomielite, por exemplo, era de 96,5% em 2012. Já em 2018, caiu quase 10%. Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas destinadas a crianças menores de dois anos vêm registrando quedas desde 2011.

“Essa redução ocorre porque parte da população acredita que não terá problemas de saúde se optar por não se vacinar. Mas o pai ou a mãe que não leva seu filho para tomar vacinas desde cedo comete um grave erro, pois está assumindo o risco de algo acontecer com a criança. Se há alguma dúvida sobre a segurança ou eficácia da vacina, a pessoa deve procurar um profissional de saúde”, orienta o médico Marcelo Cordeiro.

Crédito da foto: Freepik

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