Movimento pró-impeachment de Dilma mobiliza redes sociais

No próximo dia 15 de março, uma nova mobilização popular deve tomar conta das ruas de todo o país, em virtude de um evento que vem ganhando força nas redes sociais pela interrupção, ou melhor, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Em Manaus, o evento está previsto para ocorrer a partir das 9h, na avenida Eduardo Ribeiro, Centro. Até as 17h desta sexta-feira (27), das 53 mil pessoas convidadas para participar da mobilização na capital amazonense, em torno de 5.000 internautas haviam confirmado presença no protesto, na página Impeachment Dilma – Manaus (AM).

“Há uma mobilização nacional de iniciativa popular para que haja um enfretamento do governo Dilma”, avalia o antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos.

Segundo ele, as razões para a mobilização dos últimos meses são bem claras e envolvem o escândalo na Petrobras – desvendado a partir da operação Lava Jato; os casos de corrupção envolvendo não só integrantes dos partidos da base aliada do governo, bem como do próprio PT e da oposição; além da postura do Partido dos Trabalhadores em relação a tais acontecimentos.

Ramos chama a atenção para o fato de que, por se tratar de uma iniciativa popular, a mesma funcionará como uma espécie de termômetro a respeito do impeachment de Dilma, em relação aos partidos políticos apoiarem a causa.

“A mobilização popular se faz nas ruas. É um direito do cidadão protestar. Se este movimento pegar força nas ruas, como vem acontecendo nas redes sociais, vamos ver se haverá uma adesão da parte dos políticos”, analisa.

Ao traçar um paralelo com o processo de impeachment do ex-presidente e atual senador da República Fernando Collor (PTB/AL), Ademir também chama a atenção para os cenários políticos de cada época, e o apoio que o movimento teve de uma rede de comunicação de massa.

“Na época do impeachment do Collor, houve a força de uma grande empresa de comunicação de massa. Nestemomento, o que temos são as redes sociais, por onde as pessoas se mobilizam para organizar estes protestos de rua. Pode ser que as redes sociais tenham força para levar este movimento à frente. Pode ser que não. Vamos aguardar, pois não deixa de ser um momento importante para a democracia do país”, avalia.

‘Caçador de Marajás’

Em 1992, Fernando Collor (PTB/AL) enfrentou um processo de impeachment. À época, 441 deputados federais votaram pela interrupção de seu mandato presidencial. Na ocasião, Collor – ou o ‘Caçador de Marajás’, como ficou popularmente conhecido – estava diante de denúncias de corrupção, além de ter adotado medidas econômicas impopulares, entre elas  o confisco das cadernetas de poupança para tentar conter a inflação que se abatia sobre o país.

Caso ocorra o segundo impeachment na história do Brasil, conforme o artigo 79 da Contituição Federal (CF), “substituirá o presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o vice-presidente”, no caso Michel Temer (PMDB/SP). Em 1992, vice de Collor, Itamar Franco (PMDB/MG) assumiu o governo.

Collor foi o primeiro presidente do Brasil a sofrer um processo de interrupção do mandato, em 1992 – Antonio Cruz/ABr
Collor foi o primeiro presidente do Brasil a sofrer um processo de interrupção do mandato, em 1992 – Antonio Cruz/ABr

 

Na indisponibilidade do vice, “serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal”, conforme consta na Legislação.

Ou seja, Eduardo Cunha (Câmara) e Renan Calheiros (Senado) poderiam virar presidentes. Caso nenhum dos três pudesse ou aceitasse o cargo, Ricardo Lewandowski (STF) assumiria o comando do país.

‘Kit impeachment’

Se Dilma Rousseff terá ou não interrupção no seu segundo mandado presidencial, apenas o Congresso Nacional poderá dizer, mas o fato é que enquanto a possível saída da presidente não ocorre, algumas empresas, em momento de economia estagnada, estão aproveitando a onda para ganhar alguns trocados.

A loja virtual ProlArt está comercializando o Kit Impeachment, composto de uma camiseta polo – com a frase “Impeachment Já” -, um boné e cinco adesivos “Fora Dilma”, ao valor de R$ 175. Caso o interessado queira apenas a camisa polo, a mesma sai a R$ 99.

Há também as camisetas com as frases “Fora Dilma – Leve o PT junto com você” e “Fraude – Impeachment já”, que saem ao valor de R$ 50 cada uma.
Conforme o site da ProlArt, parte da renda obtida na venda das camiesetas e kits é destinada para o combate contra pedofília, violência contra mulheres, corrupção na política, entre outras causas defendidas pelo grupo Revoltados On Line.

 

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