Governador mente para o povo’, afirmam Wilker e Dermilson após constatarem irregularidades no Francisca Mendes

Os deputados estaduais Wilker Barreto (Podemos) e Dermilson Chagas (PP) visitaram nesta quinta-feira (26) o Hospital Universitário Francisca Mendes e se depararam com o mesmo cenário visto nos últimos dias no local: equipamentos quebrados, falta de alguns medicamentos e, principalmente, a ausência de materiais OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais), considerados insumos essenciais para as cirurgias de grande porte, além do atraso dos salários dos funcionários, que estão há três meses sem receber. A visita desmente as recentes entrevistas dadas pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, afirmando que a unidade de saúde está funcionando regularmente.

Além disso, os parlamentares mais uma vez foram impedidos pela Secretaria de Saúde do Estado (Susam) de vistoriar o local, mas posteriormente foram liberados sob a condição de não fotografar nem filmar as dependências do Francisca Mendes. Em um novo acordo, os parlamentares puderam fazer vídeos com os próprios celulares.

Incursão

Acompanhados da secretária executiva de Atenção Especializada da Capital (SEA- Capital) da Susam, Dayana Mejia, e da direção do Francisca Mendes, os deputados constataram algumas irregularidades como aparelhos de ecocardiograma, mamógrafos e de ressonância parados, aguardando por manutenção, e muita reclamação dos pacientes presentes no local pela demora no atendimento. Além disso, a medicina nuclear também está sem funcionar.

Em tom duro, Wilker afirmou que o Governo faz teatro ao comentar melhorias na saúde e que a atual gestão continua a dar as costas para a população amazonense, incluindo servidores da saúde, que estão sem receber há três meses e sem décimo terceiro.

“O que me preocupa é que nós estamos vendo um governador mentindo descaradamente para a população. O Francisca Mendes está bem aquém de um hospital de excelência. Bons profissionais, mas que estão há três meses sem receber. Está faltando OPME, que são aqueles produtos de cirurgias, todas as maquinas paradas, raio-x parado, ressonância e cintilografia paradas, tomografia parada. E acredite, o Francisca Mendes tem meio Ecocardiograma funcionando. É preocupante as cirurgias eletivas paradas, muito diferente do que vem pregando o governador para o Amazonas. Govenador não tem o direito de mentir para a população”, alertou o Líder da Minoria na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Para Dermilson, a realidade encontrada no Francisca Mendes é caótica e condiz com os 30 óbitos das crianças cardiopatas somente este ano, e a fila para o procedimento cirúrgico que acumula 600 pessoas.

“Hoje, no Francisca Mendes, se o paciente sair da UTI para fazer exame de ecocardiograma, ele morre. O aparelho está precário, não funciona e o Governo fala que está tudo uma maravilha, mas não está. Isso é uma vergonha, esse governo prefere festas e discurso bonito do que arrumar a saúde e salvar vidas”, comentou Chagas.

Durante a incursão, os parlamentares foram avisados que algumas cirurgias estavam sendo feitas por meio de “cartinhas”, que possivelmente vinham do alto escalão do governo dando prioridade para quem não estava na fila dos Sisreg, que é o sistema de marcação de consulta da rede pública de saúde. “É uma denúncia que vamos apurar. Se for verdade, vamos saber e convocar o Ministério Público”, disse Dermilson.

Barrados

Mesmo com o documento do Ministério Público do Amazonas (MPE-AM) em mãos, que autoriza os deputados a fiscalizarem os hospitais, Wilker Barreto e Dermilson Chagas, junto com suas respectivas equipes de assessoria, foram barrados dentro do Francisca Mendes. A ordem da Susam era para não vistoriar a unidade de saúde. Após uma hora de espera, os parlamentares foram liberados para fiscalizar a unidade.

Os deputados classificaram o episódio como uma afronta ao exercício de suas prerrogativas parlamentares.

“Não me assusta a decisão do Governo de proibir que dois deputados fiscalizem o Francisca porque eles têm algo a esconder. O mais grave aqui é a afronta ao Poder Legislativo, onde mandam fazer barricada de seguranças para impedir a fiscalização do hospital, que está em colapso”, declarou Wilker. Já Dermilson ponderou que “quem não deve, não teme, e que o Governo deveria ter habilidade e capacidade para deixar fiscalizar o hospital”.

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