Escola do Amazonas diminui ações danosas com implantação de Programa de Prevenção ao Vandalismo Escolar

Por Kathelen Lima

Anualmente, milhões de reais de dinheiro público são desperdiçados. O dinheiro é jogado no fosso do retrabalho, fruto da depredação e destruição do patrimônio público, assim como da má utilização dos serviços coletivos. Só em 2018, o Amazonas registrou perda de mais de R$ 1 milhão em destruição de postes e furtos de lâmpadas e cabos de cobre da ponte que liga a capital a região metropolitana. Uma escola da periferia de Manaus, que registrava grande perda de carteiras escolares, mostra que é possível conter o vandalismo a partir da consciência cidadã.

A Secretaria Municipal de Parcerias e Projetos Estratégicos de Manaus (Semppe) contabilizou, em 2018, a destruição de 77 postes de iluminação pública. O prejuízo foi avaliado em R$ 782 mil. No mesmo período, 119 mil luminárias, que custaram R$ 219 mil aos cofres públicos, ficaram inutilizadas pela ação dos vândalos. A perda não é apenas financeira. A escuridão de ruas e avenidas é apontada pelos especialistas em segurança como uma das causas de facilitação da criminalidade por permitir que criminosos se escondam e sejam bem-sucedidos no ataque às vítimas.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Amazonas registrou, no ano passado, 5.793 casos de roubos e furtos em Manaus. Grande parte das ocorrências aconteceu em regiões da cidade precariamente ou não iluminadas. A auxiliar de serviços gerais, Fabíola Acacia dos Santos, conhece bem o medo por andar na escuridão. “Ao voltar para casa, tenho de passar por ruas escuras. Em uma delas, o carro bateu no poste, que até hoje não foi consertado. Várias pessoas já perderam o pouco que tem por passar por estes lugares que o poder público teima em fazer de conta que não existem”, lamentou.

Os criminosos ficaram tão ousados que não temem o risco iminente de morte. A ponte Jornalista Phelippe Daou, que liga Manaus a três municípios da região metropolitana (Iranduba, Novo Airão e Manacapuru) sofre constantemente com os furtos de cabos, responsáveis pela iluminação de 3.595 metros das quatro pistas.

O alto valor comercial da parte interna da fiação, composta pelo cobre (metal nobre) desperta a cobiça de quem não teme descargas elétricas de alta voltagem, capazes de matar instantaneamente. Os ladrões furtaram mais de 5,5 mil metros de cabos avaliados em cerca de R$ 170 mil em 2018. Sem iluminação, a ponte se tornou um local perigoso para os milhares de veículos de pequeno e grande porte que a cruzam, principalmente para os caminhões lotados de insumo para a construção civil. O município de Iranduba concentra a maior parte das olarias do Estado, atendendo a capital e localidades próximas com tijolos.

Gasto com reposição de ônibus

Um grande alvo dos vândalos é o transporte coletivo, assim como os terminais e pontos de integração. Em julho de 2018, 61 ônibus foram depredados por usuários revoltados com a paralização de motoristas e cobradores que reivindicavam aumento salarial. Considerando que um ônibus novo custa em torno de R$ 200 mil, o prejuízo estimado atingiu a cifra de mais de R$ 12 milhões.

Além dos danos aos veículos, os cinco terminais são constantemente alvo de destruição e furtos. Os criminosos destroem e roubam portas, torneiras, vasos sanitários, pias e canos, muitas vezes, a luz do dia.

Educação Fiscal combate vandalismo

Na Escola Estadual de Tempo Integral Professor Isaac Benzecry, localizada na Colônia Oliveira Machado, Zona Sul de Manaus, os educadores decidiram enfrentar o vandalismo com a arma mais eficiente: a conscientização sobre a aplicação dos recursos públicos em benefício dos próprios alunos.

Cerca de 300 crianças e jovens, com idades que variam de 7 a 14 anos, participam do projeto “Alimentando a consciência cidadã como práxis”. Em palestra semanais, os professores explicam que o prédio, materiais e equipamentos da escola são mantidos com a arrecadação dos tributos, que são pagos pelos pais dos alunos quando eles efetivam compras ou adquirem serviços.

De forma lúdica e com uma linguagem simplificada, a escola eliminou um problema crônico. Em 2015, a Secretaria Estadual de Educação enviou para a escola 336 carteiras novas. Na contagem do final de 2018, a supervisão constatou que 127 foram inutilizadas pelos estudantes. A partir da implantação do projeto, a escola tem conseguido manter as 209 carteiras restantes em bom estado de conservação.

Para o coordenador do projeto, Rosenildo Silva, a conscientização da criança é trabalho que envolve escola, alunos e seus familiares. “O desenvolvimento desse projeto é feito com o aluno desde pequeno. Desenvolve ações positivas dentro da escola em relação ao patrimônio físico e intelectual, além de formar um caráter crítico a fim de que a criança preserve e proteja o patrimônio público em geral. O projeto vai além dos muros de nossa unidade de ensino. Estamos formando o cidadão consciente de seu papel social”, pontuou.

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