Deputado diz que recebeu documentação falsa durante fiscalização no HPS 28 de Agosto

O deputado estadual Wilker Barreto teve, novamente, seu direito como parlamentar cerceado no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto. Ao visitar a unidade na tarde desta segunda-feira, 04, vivenciou uma situação dramática ao não conseguir ter acesso às informações verídicas quanto à lista de insumos que faltam no local. Na ocasião, um documento do hospital foi alterado e passado ao parlamentar. Apesar da manobra da unidade, o humanista ainda conseguiu constatar que o número de medicamentos zerados aumentou, após Barreto completar um mês de visita no hospital.

“Eu passei uma hora aguardando ser atendido, pois mais uma vez o diretor do hospital não estava (Eduardo Mesquita Jr). Caso a espera fosse resultar em informações ou num atendimento pacífico, sem problemas, mas não foi o que aconteceu. Fui recebido por uma enfermeira que disse estar responsável pela unidade, e ela questionou o motivo das minhas visitas acontecerem nos finais de semana ou feriado. Segundo ela, eu deveria vir em horário comercial. Após isso, uma sucessão de episódios infelizes começaram, até o momento em que uma lista real de medicamentos me foi passada e tirada da minha mão. Lá constava a realidade dos fatos, mas me foi entregue uma alterada, que não condiz com o verdadeiro”, destacou Wilker.

Após ser informado que a relação de estoque de medicamentos não poderia ser passada, o deputado usou da prerrogativa parlamentar e foi até a farmácia do hospital. Na ocasião, um funcionário o atendeu e disponibilizou a lista. Em seguida, uma superior do setor chegou, disse para o humanista que ele não poderia ter acesso aquele material, pediu a devolução, e entregou uma nova lista, esta sem estar no papel timbrado do hospital e sem assinatura de responsável pela informação. No documento oficial constava a falta de 55 medicamentos, enquanto que no alterado apenas 19.

“A lista é visivelmente alterada e me foi explicado que a lista oficial não poderia ser entregue devido ordens superiores. Disseram que se eu quisesse, poderia copiar manualmente os itens e ficar para mim, mas tirei foto do documento. A partir daí, se instalou um caos entre os funcionários, principalmente em relação ao funcionário que me fez a entrega deste relatório pela primeira vez. Mas irei me debruçar nesta situação, pois um funcionário não pode sofrer represália por falar a verdade”, destacou.

Convite ao Vice-Governador

No dia 16 de fevereiro, Wilker Barreto levantou que 55% dos remédios estavam em falta no HPS 28 de Agosto, sendo 29 essenciais e 18 vitais. Na visita desta segunda, o número de medicamentos em estoque zero aumentou, alcançando mais de 60%, isso sem contar com os Produtos para a Saúde (PPS), uma vez que o deputado não conseguiu ter acesso a lita dos mesmos. Diante do cenário crítico de sonegação de informação e alteração de dados, o parlamentar fez um convite ao vice-governador e secretário de saúde (Susam), Carlos Almeida, para que eles visitem juntos o 28 de Agosto nesta quarta-feira (06), às 14h.

“O Governador esteve em audiência pública na Assembleia e pediu desculpas formalmente quanto ao fato de eu ter sido barrado no 28 de Agosto no dia 23 de fevereiro e disse, na ocasião, que eu teria acesso livre em qualquer unidade, inclusive poderia ter qualquer informação a respeito da saúde. Pois eu acho que estão desrespeitando uma pedido do vice-governador e, por isso, o convido para juntos realizarmos uma visita no 28 de Agosto na quarta, após o Carnaval, e aí acredito que teremos acesso com mais facilidade as informações e poderemos contar com a presença do diretor da unidade. O que aconteceu hoje aqui foi extremamente desagradável”, comentou.

Barrado

No dia 23 de fevereiro, Wilker Barreto foi impedido de inspecionar o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de agosto, no Adrianópolis. O humanista foi barrado por seguranças terceirizados do local, que informaram que nos finais de semana o diretor geral do hospital, Eduardo Mesquita Jr, não cumpre expediente. Ainda segundo os seguranças, não havia ninguém da equipe técnica que pudesse atender ou passar informações ao deputado.

No mesmo dia, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) emitiu nota em apoio ao parlamentar, citando a Constituição do Estado do Amazonas em seu art.28, inciso XV, que diz ser indelegável e competência exclusiva da Assembleia “fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, incluindo os da administração indireta”.

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