DE CHACRINHA A ESOPO – Por Alexandre Garcia

A presidente começou a semana promovendo uma reunião entre alguns ministros para mandá-los melhorar a comunicação. Deve lembrar dos anos em que ela lutava para implantar uma democracia cubana no Brasil, em que Chacrinha repetia o bordão: quem não se comunica se trumbica. Mas não basta isso nem isso é o principal, quando se é governo. O principal de um governo são bons resultados na saúde, na educação, na segurança, na Justiça, na economia…Bons resultados dispensam propaganda. Aliás, quem precisa de propaganda é o mau chefe de governo.

Alexandre Garcia Articulista - da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia Articulista – da agência “Alô Comunicação”

A propósito das manifestações do dia 15, a Presidente ocupou as programações das rádios e da TV para atribuir a culpa de tudo à crise mundial, aos meios de informação e à falta de chuvas. O mundo todo está crescendo, as chuvas estão inundando o país e os jornais, tevês, rádios e revistas estão informando sua audiência das benfeitorias e malfeitorias do governo. Portanto, não é uma questão de comunicação. Que foi muito usada da campanha e resultou em reeleição. Como não há recall do Código do Consumidor para a política, não se aplica o artigo 37 da Lei: “É proibida a propaganda enganosa ou abusiva.”Nem o art. 66 do código, que considera crime “Fazer afirmação falsa ou enganosa ou omitir informação relevante sobre produtos ou serviços”.

Voltaire, ironizando a Igreja Católica, escreveu, há 300 anos “menti, menti; algo sempre ficará”. O Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, levou isso ao pé-da-letra e convenceu os alemães, tão lindos e educados. Agora você pode supor por que aqui no Brasil se dá importância prioritária à tal “comunicação” do governo. Fica fácil enganar, engambelar, inventar; governar muito bem, só na saliva. O papo substitui o fato. E se os meios de informação mostram diferente, é porque são conspiradores. Se o povo vai às ruas aos milhões mostrar que não é assim, é tentativa de golpe, e não uma manifestação da democracia. Se o mundo insiste em crescer, contrariando a versão do governo brasileiro, é para evitar que o Brasil se transforme em potência econômica. Se chove ou se não chove, são os fatores climáticos que não ajudam.

Nessa maneira estranha de governar pela propaganda, gastam-se bilhões que poderiam estar formando professores e escolas. Mas se houver bons professores e boas escolas, de que valeria a propaganda? As pessoas estarão devidamente esclarecidas para não aceitar o engodo. Como sobreviver no poder? Ora, além de Voltaire existe o universal “divide e governa”.

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