Frete rodoviário acumula alta de 3,36% em março com pressão do diesel e safra recorde
Índice aponta crescimento de 8,7% no comparativo anual; tendência para o fechamento de abril permanece de elevação
O custo logístico no Brasil registrou nova pressão no encerramento do primeiro trimestre de 2026. O preço médio do frete por quilômetro rodado atingiu R$ 7,99 em março, uma elevação de 3,36% em relação ao mês anterior. De acordo com o Índice de Frete Rodoviário (IFR) da Edenred Repom, o movimento é reflexo direto da valorização do diesel e do aumento sazonal da demanda para o escoamento da safra de soja.
No comparativo com março de 2025, a alta acumulada chega a 8,7%. Analistas do setor indicam que o cenário para abril permanece de alta, mantendo o alerta para setores que dependem do transporte rodoviário, especialmente o agronegócio, onde o custo do frete incide diretamente na rentabilidade do produtor.
Fatores de Pressão: Diesel e Geopolítica
O principal componente de custo identificado no período foi o combustível. O preço do diesel S-10 nas bombas saltou 13,60% em março, impulsionado pela volatilidade do petróleo no mercado internacional e pelas tensões persistentes no Oriente Médio, que afetam o abastecimento global.
Além do fator combustível, a logística nacional enfrenta outros dois pilares de pressão:
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Demanda Agrícola: O pico da colheita e a necessidade de escoamento de uma safra recorde mantêm a procura por caminhões elevada, reduzindo a oferta de fretes disponíveis.
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Cenário Regulatório: A obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para todas as operações, somada à fiscalização da ANTT sobre o piso mínimo do frete, tem estruturado novos patamares de custos operacionais para as transportadoras.
Impacto na Cadeia Produtiva
Para a gestão de negócios, o avanço do frete representa um desafio de margem. No Amazonas, embora o foco seja a cabotagem e o modal aéreo para insumos, o encarecimento do transporte rodoviário nas rotas de conexão com o restante do país impacta o preço final de produtos manufaturados e alimentos que abastecem a região.
O mercado aguarda agora os dados consolidados de abril, que devem confirmar a manutenção da tendência de alta enquanto as incertezas geopolíticas continuarem pressionando as cotações do barril de petróleo.
