Queda nas exportações para o Golfo gera alerta no comércio exterior e monitoramento na Zona Franca de Manaus
Recuo de 31% nas vendas para países árabes interrompe ciclo de alta nas exportações e gera monitoramento técnico para Zona Franca de Manaus.
O cenário das exportações brasileiras para as nações árabes do Golfo registrou uma queda de 31,47% no mês de março, totalizando US$ 537,11 milhões. Esse declínio interrompe um ciclo de crescimento e é atribuído diretamente ao agravamento das tensões no Oriente Médio e aos consequentes obstáculos logísticos na região.
Apesar desse movimento específico, o panorama consolidado do Brasil permanece positivo, com exportações globais somando US$ 31,6 bilhões no mês e um recorde histórico de US$ 82,3 bilhões no acumulado do primeiro trimestre.
A retração foi sentida com maior intensidade no agronegócio, setor que lidera a pauta comercial brasileira com o Golfo. A relevância estratégica dessa área para o fluxo mundial de fertilizantes e energia eleva o receio de uma escalada nos preços de seguros e fretes internacionais.
Em um cenário de instabilidade de longo prazo, esses custos logísticos tendem a impactar diversas cadeias produtivas globais, extrapolando os limites geográficos do conflito.
No contexto da Zona Franca de Manaus (ZFM), a influência direta dessa redução na demanda externa é considerada limitada no curto prazo. A economia do Amazonas possui um perfil focado na importação de insumos industriais, como demonstram os dados de 2025, quando o estado registrou uma corrente de comércio de US$ 17 bilhões, composta majoritariamente por US$ 16,06 bilhões em importações frente a US$ 939,89 milhões em exportações.
Essa estrutura torna o polo industrial local mais vulnerável ao aumento nos custos de transporte e componentes do que à oscilação das vendas para os países árabes.
Os indicadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) do início de 2026 corroboram essa análise. No primeiro bimestre, o faturamento atingiu R$ 37,04 bilhões, mantendo a estabilidade em relação ao ano anterior e apresentando inclusive uma alta de 27,28% em suas próprias exportações, com o nível de emprego alcançando quase 129 mil postos em fevereiro.
A avaliação atual indica que a ZFM permanece resiliente aos efeitos diretos da crise no Golfo, embora o monitoramento siga atento para evitar que a persistência do conflito internacional eleve os custos de produção e a logística de suprimentos em Manaus.
