Rondônia 2018: Raupada e bagatolada

Por Daniel Martins

O casal Valdir e Marinha Raupp lideram a política rondoniense desde 1994. Agora imitaram Marina Silva, sumiram das urnas e como disse outro defenestrado, Cristovam Buarque, senador de Brasília, “o povo cansou de nós”. Quem bom! Já do candidato ao Senado do PSL, Jaime Bagatoli, sua desastrada jogada criou, para rimar, uma nova expressão, bagatolada.
Estou morando em Porto Velho pela segunda vez mas, embora ame Rondônia em breve volto para minha origem e paixão, o meu Amazonas. E como blogueiro político, vivi até o mês de julho a dúvida do voto para presidente entre Alkmin e Álvaro Dias, quando então decidi por Bolsonaro sem mesmo ler o programa de governo dele. Concluí que neste momento do Brasil o importante era apoiar alguém comprometido com a mudança do status quo e do modus operandi vigente em nossa pátria. Só Bolsonaro fez esse compromisso, cujo começo já me bastaria: honestidade, desconstrução da esquerda destruidora de toda nação que domina (como hoje vemos na Venezuela, Nicarágua, e o Brasil esteve bem perto!). E além disso, por um freio no sistema capitalista selvagem do mercado financeiro, na falta de autoridade dos governos e da sociedade a partir das escolas, da violência como política pública de desarmonia social e promoção do ódio instigando as minorias contra a maioria para desagregar o país e preparar o golpe socialista como sempre fazem, complementam as razões.

Pelas redes sociais acompanhei e atuei por Bolsonaro e pelo meu Amazonas, torcendo por Wilson Lima, que há de vencer o eterno e ateu Amazonino Mente ops. Mendes, mas como estou em Rondônia (até o mês que vem), acompanhei a eleição rondoniense, tão atípico como todas as eleições deste 2018.
Aqui, no insignificante PSL-RO só sem votos se filiaram, pela força do Mito que obrigou Expedito Jr. a devolver o terno da posse que tirara do guarda roupa quando Acir foi cassado. Já o candidato do PSL – coronel Marcos Rocha – Expedito Jr e mais ninguém considerava, pois não tem nome, estrutura, como secretário de Nazif e Confúcio foi um apagado da silva, e só saiu candidato como azeite na prensa, espremido pelo veto dos ricos do Partido ao nome do que ficou sendo vice, José Jodan.

Esses ricos são membros locais do movimento nacional Aprosoja, que assumiu o compromisso de financiar a campanha de Bolsonaro nas regiões Norte e Centro Oeste. Mas como é de praxe e na campanha todo rico posa de pobre, ninguém viu o din din destes milionários. O único que se alvoroçou como financista público e entende tanto de política quanto criança de nióbio, o empresário vienense Jaime Bagatoli tentou se tornara o “dono” do PSL. Para encurtar o artigo, esse cidadão é famoso por sua ignorância, soberba, grossura, autoritarismo, mas confiando no din din cobrou caro seu apoio – quis ser senador.

Agropecuarista em Vilhena, este cidadão é tão anta em política queconsegiu ser candidato sozinho embora o Partido pudesse lançar dois nomes. Faltaram pouco mais de 18 mil votos para se eleger, e poderia ter obtido esses votos com um parceiro pedindo o 2º voto para ele, já que todos os candidatos foram mal votados ao ponto de um ex-governador milionário como Confúcio Moura se eleger com apenas 17% dos votos. Mas não foi só isso, seguro de que o coronel candidato ao governo não tinha qualquer chance “por ser pobre”, não andou com ele nem o ajudou a fazer campanha. Deu apenas os impressos comprometidos com o diretório nacional, miseráveis 5 mil reais para cada candidato a deputado contratar 5 formiguinhas por apenas 30 dias, e o candidato ao governo, claro, preferiram Acir Gurgacz, que não lhes pediria dinheiro.
Pois bem eleitor, o futuro presidente Bolsonaro perdeu um senador por soberba e amadorismo: além do 2º candidato na chapa, bastava ao senhor Bagatoli andar por todo lugar com o coronel, que teria sido eleito, afinal, Marcos Rocha foi para o segundo turno com 8% a mais de votos que ele para o Senado! E mais simples ainda, se, andando com ele, Bagatoli tivesse pedido o voto de quem votaria e votou só na legenda, o 17, que somou 50 mil votos, se metade dessas pessoas o atendessem teria sido eleito.

Mas o chifrinho que o azeda mais ainda ao ponto de querer engessar o coronel agora, alegando ter financiando os impressos (compromisso que fez com o diretório nacional e não com Rocha), não é a derrota para o Senado que com tantos erros todos os entendidos anteciparam. O chifrinho que lhe coça mais é o fato de saber que com o dinheiro que tanto valoriza e gastou – varia de 800 mil a 2 milhões conforme a entrevista – poderia ser ele o governador (o coronel Rocha só perde se imitar o Pimentel na burrice do debate para prefeito da capital em 2016!).

Além de estar no 2º turno e liderando com folga, Rocha também não era conhecido e sequer visitou todos os municípios porque os Bagatolis da Aprosoja que prometeram apoio incondicional a Bolsonaro lhe negaram apoio real e quando as urnas se abriram acabaram pegos com a calça curta.

Como menino dono da bola, Bagatoli não lançou um colega para pedir votos para ambos porque queria pegar os dois votos do Senado só para si (kkkk); ou para ser mais elegante – sic. Na verdade, os milhares ou milhões que viraram milho sequer conseguiram fazer a candidatura do “senador” do PSL chegar à capital, celeiro com 300 mil votos.

Estes fatos e a vitória do novo coronel coroaram a onipresença do Mito nas terras do saudoso coronel Teixeirão. Uma vitória com recursos próprios e ralos, e um caráter que o levou a abraçar nesta semana o “ex futuro” senador por inteligência, humildade e/ou estratégia. ‘Chupa essa’ Bagah… é uma expressão feia mas cabe bem aqui, porque esse grupo jamais esquecerá que um ou outro riquinho cheio de fogo na língua poderia estar no lugar do futuro governador e não está (por má assessoria, erro de cálculo e/ou pão-durismo), e quem está engolindo sapo não é o futuro governador Marcos Rocha; muito pelo contrário.
Assim, pra não dizer que não falei de flores, tchau Expedito, tchau Bagattoli.

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