PIB cai 0,6% no 2º trimestre e Brasil entra em recessão técnica

Sob impacto negativo da Copa, de freada do consumo das famílias e forte retração dos investimentos, o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses deste ano. Em valor, o PIB do país somou R$ 1,271 trilhão.

Em relação ao segundo trimestre de 2013, a economia do país encolheu em 0,9%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (29).

Em relação ao segundo trimestre de 2013, a economia do país encolheu em 0,9% e somou R$ 1,271 trilhão, conforme o IBGE – foto: reprodução
Em relação ao segundo trimestre de 2013, a economia do país encolheu em 0,9% e somou R$ 1,271 trilhão, conforme o IBGE – foto: reprodução

Como o resultado do primeiro trimestre foi revisado para queda de 0,2% (contra alta de 0,2% informado anteriormente), segundo parte dos economistas, o país entrou em recessão técnica.

O termo, entretanto, é controverso. Alguns especialistas questionam a abordagem tradicional de considerar que a queda do PIB por dois trimestres seguidos configura recessão técnica. Eles argumentam que os dois recuos são pequenos e o desemprego no país é baixo.

É a primeira recessão técnica desde o fim de 2008, quando houve recuo de 3,9% no último trimestre daquele ano e de 1,6% no trimestre seguinte.

Para Silvia Matos, da FGV (Fundação Getulio Vargas), o fato de a economia contrair por dois trimestres não é necessariamente uma recessão, pois as taxas de queda são moderadas (em especial a do primeiro trimestre, que foi revisada) e o mercado de trabalho, já em desaceleração, não se mostra ainda em crise.

Ela reconhece, porém, que muitos economistas avaliam o cenário como recessivo.

Segundo Rebecca Palis, gerente do IBGE responsável pelo PIB, as revisões são necessárias para aplicar o ajuste sazonal no PIB, o que permite a comparação com o trimestre anterior, excluindo efeitos típicos de cada período (como feriados fixos e maior volume de safra concentrada em um trimestre).

Palis disse que é “preciso tomar cuidado” com taxas muito próximas a zero, como a do primeiro trimestre (revista de 0,2% para -0,2%), que pode voltar a ser positiva após nova revisão, nos cálculos do terceiro trimestre.

Desempenho pior

Com o resultado do segundo trimestre, a economia brasileira acumula alta de 0,5% nos seis primeiros meses deste ano e caminha, segundo analistas, para fechar o ano com um crescimento de só 0,7% -se confirmada a projeção, será o pior desempenho desde 2009, quando a queda foi de 0,3%, verificada no auge da crise global.

Nos últimos quatros trimestres encerrados em junho, o PIB soma uma alta de 1,4%.

Do primeiro para o segundo trimestre, ditaram o tombo do PIB a indústria e os serviços, com quedas de 1,5% e 0,5%, respectivamente. A agropecuária teve leve alta de 0,2%.

Ao olhar a economia por outro ângulo (o destino da produção gerada por esses três grandes setores), o consumo das famílias, item de maior peso na composição do PIB, cresceu apenas 0,3%.

Já os investimentos em máquinas para a produção, transporte, agropecuária, energia, entre outros, e em construção civil tiveram forte retração de 5,3%. Esse componente é tido como dos mais importantes do PIB, pois sinaliza o quanto a economia terá capacidade de crescer no futuro por meio do aumento da sua capacidade produtiva e da infraestrutura.

Até mesmo o consumo do governo (na compra de insumos para saúde, educação e outros serviços públicos) recuou 0,7%.

Copa e estagnação

Para Silvia Matos, economista da FGV, a retração do PIB já era esperada. O efeito da Copa, segundo ela, foi mais sentido em junho, no início da competição. Isso porque houve um acumulo maior de feriados excepcionais nas cidades-sede e dias de dispensa antecipada de trabalhadores.

Com menos pessoas a produzir, a economia encolheu. “Uma estagnação ou uma pequena queda já era esperada, mas a Copa ajudou o resultado a ser um pouco pior.”

Desde o fim de 2013, o PIB está estagnado, passado o boom do crédito e sob efeito de juros e inadimplência maiores. Endividadas, as famílias já não têm o mesmo ímpeto para gastar. A inflação maior neste ano (e concentrada em alimentos) também corroeu seus rendimentos, o que freou o consumo de bens de menor essencialidade.

Os investimentos, por seu turno, sofrem com a menor confiança de empresários, também com mais juros mais elevados e bancos menos dispostos a emprestar diante das incertezas da economia do país.

 

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