Padre rejeita título de cidadão bocacrense

Foto : Whatsap / divulgação

O Padre Miguel Lucas da Costa, pároco da Paróquia de São Pedro, rejeitou a proposta do título de Cidadão Bocacrense, indicado pelo vereador José Silva de Noronha, o popular Patinha. O religioso, de hábitos simples, que dispensa o veículo oficial da igreja e prefere caminhar a pé até as pregações religiosas, não concordou em receber a honraria e criticou de forma direta a conduta dos parlamentares, solicitando que ao invés de receber a homenagem, que os vereadores se debruçassem à confecção de projetos que privilegiasse a população.

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Para o padre, ser cidadão bocacrense é ser obrigado a passar por muitas dificuldades econômicas, sociais e estruturais. Em síntese, para o pároco, o sentimento de pertencimento ao município, nos dias de hoje, é sinônimo de sofrimento e supressão dos direitos sociais.

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Leia a resposta do padre enviada ao vereador José Silva de Noronha

Como posso receber um título de cidadão, se os cidadãos naturais, não têm os seus direitos respeitados? Como se sentir um cidadão, se os cidadãos próprios de Boca do Acre, principalmente os mais pobres levam uma vida de miseráveis?

Se vou me tornar um cidadão, gostaria de viver como cidadão, com os direitos básicos garantidos: saúde, emprego, educação, saneamento básico.

Agora se é para ser cidadão como os cidadãos de Boca do Acre vivem, mendigando cesta básica, uma passagem para ir ao médico em Rio Branco, uma ajuda para uma cirurgia, um dinheiro para comprar um remédio, um serviço para ganhar um trocado, NÃO ACEITO.

Como posso abrir a boca e bater no peito e dizer orgulhosamente que sou Cidadão Bocacrense, quando vejo o povo padecer por não ter um hospital digno, onde a saúde é péssima, ruas esburacadas e tomadas pela lama, esgoto a céu aberto, água sem tratamento, e o pior, localidade que devido à distância, nem água tem para o consumo diário. Viver dessa forma é ser cidadão? Se é, NÃO ACEITO SER.

Gostaria sim, que em vez e aprovarem o Título de Cidadão para mim, aprovassem PROJETOS que venham a favorecer a vida do povo, principalmente dos mais pobres, que são humilhados sem o necessário para a sua sobrevivência.

O povo quando elege um vereador, tem a esperança de que as coisas vão mudar. Acredita que não está sozinho na luta por dias melhores, pois o vereador iria representa-lo e reivindicar os seus direitos.

Isso na grande maioria, se torna uma frustração para o povo, pois os seus representantes representam-se a si mesmos.

Um dia, quem sabe, poderei receber esse tão nobre Título Cidadão Bocacrense, se de fato eu puder, assim como os demais cidadãos desta terra querida, desfrutar de uma vida digna, com todos os direitos garantidos, próprios a todo ser humano.

Isso é ser Cidadão. Se o povo de Boca do Acre vive como esse ser cidadão, seria uma imensa alegria para mim também ser cidadão bocacrense.

Fonte : Agostinho Alves / Portal do Purus

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