Os 6 Pilares da Boa Educação Cristã

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De nada adiantaria assegurar aos filhos prosperidade temporal, se nos descuidássemos da alma imortal que eles possuem e do destino eterno que eles terão.

Os pais, a quem em primeiríssimo lugar foi confiada a missão de educar os seres humanos, têm nas mãos uma grande responsabilidade. São tarefas deles, por exemplo, proporcionar aos seus filhos uma boa alimentação, acolhê-los no próprio lar, satisfazer suas necessidades corporais, cuidar de sua formação intelectual etc.

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O ponto culminante, porém, de toda a educação familiar está na formação religiosa. Sem diminuir nenhum dos outros aspectos — alguns dos quais estão intimamente relacionados com a educação religiosa —, é esta última que ocupa o primeiro lugar em toda a pedagogia cristã. Porque, afinal, de nada adiantaria assegurar aos filhos prosperidade e bem-estar temporais, se não nos preocupássemos, antes de tudo, em assegurar-lhes a vida eterna. “De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro”, perguntava Nosso Senhor, “se vem a perder a própria alma?” (Mc 8, 36). Não podemos jamais esquecer-nos que, no fim das contas, o homem não nasceu para este mundo, mas para o outro; não para o tempo, mas para a eternidade.

Acontece que, ao tocarmos neste assunto, o cenário que se descortina ante nossos olhos afigura-se imenso e desafiador. Seria, de fato, impossível abordá-lo com a extensão que ele merece, pelo que deveremos nos contentar com algumas ligeiras indicações, as quais serão suficientes, todavia, para orientar os primeiros passos que devem ser tomados no seio do lar.

Para ser completa, uma formação espiritual ou religiosa deve abarcar seis pontos principais [1]:

  1. A grave obrigação de ensinar

Os pais estão obrigados gravemente a ensinar aos seus filhos, por si mesmos ou por meio de outros, a doutrina cristã acerca das coisas necessárias para a salvação, bem como as orações fundamentais que deve recitar todo cristão, tais como o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Glória, o Creio, a Salve Rainha etc.

Obviamente, esse ensinamento básico deverá ser complementado cada vez mais, à medida que vai crescendo a capacidade da criança de entender as coisas da fé.

  1. A prática da vida cristã

Antes de qualquer coisa, devem os pais batizar o quanto antes os seus filhos — no mesmo dia em que nascem, se possível —, para que recebam a graça de Deus e o gérmen de todas as virtudes infusas. É um grave abuso adiar o batismo dos filhos por fúteis pretextos humanos ou conveniências sociais (como seria, por exemplo, esperar a vinda imprevista de um tio que mora distante), e seria gravíssimo pecado se a criança estivesse em perigo de morrer sem o sacramento.

Tão logo os filhos vão adquirindo compreensão das coisas desta vida, devem seus pais infundir-lhe o amor a Deus, ao Menino Jesus, à Virgem Maria, à Igreja, aos sacerdotes e aos pobres e necessitados. Devem ensinar-lhes as orações da manhã e da noite, antes e após as refeições, a fazer o sinal da cruz ao sair de casa, a beijar a mão dos sacerdotes, a fazer um ato de adoração ao Santíssimo quando passar em frente a uma igreja etc. Devem procurar também que recebam o quanto antes a primeira comunhão e, uma vez recebida, que se confessem e comunguem com frequência, fazendo-o devota e espontaneamente, sem coação alguma por parte de ninguém.

Exortem também os pais, com discrição e suavidade, a que seus filhos fujam das más companhias — as quais, no dizer do Apóstolo, “corrompem os bons costumes” (1Cor 15, 33) —, das leituras ou espetáculos perniciosos — especialmente hoje em dia, em que as exibições de maior perigo podem ser assistidas dentro de casa — e a não se deixarem seduzir pelos companheiros pervertidos que possam encontrar na escola ou na rua. Inculquem neles, por fim, a prática das virtudes cristãs, sobretudo das mais adequadas a sua idade e condição: a piedade, a obediência, a caridade, a justiça, a sinceridade, a pureza, a mansidão etc.

  1. A importância do bom exemplo

O bom exemplo dos pais e educadores é importantíssimo e insubstituível. Estes não devem se esquecer nunca que “as palavras comovem, mas os exemplos arrastam”.

Dentro de casa, o pai e a mãe devem evitar tudo quanto possa escandalizar os filhos (conversas inconvenientes, brigas, blasfêmias, mentiras etc.), além de se esforçarem em proporcionar-lhes toda sorte de bons exemplos: de piedade, de honradez, de mansidão, de caridade etc.

Este é, novamente, um dos mais graves deveres dos pais, do qual terão que dar estreitíssima conta a Deus.

  1. A vigilância de quem cuida

A vigilância paterna é uma matéria indispensável, especialmente para proteger a boa educação que os filhos recebem.

Neste quesito, os pais não devem agir como se fossem fiscais de polícia — seria contraproducente —, mas sim com habilidade e doçura, para apartar os filhos dos perigos que espreitam por toda parte as suas almas inexperientes: companheiros e livros de escola, espetáculos e programas de televisão, diversões e jogos de computador, amores prematuros, etc., além de fomentar neles o amor ao trabalho, ao estudo e à diversão sã e honesta.

  1. A correção de quem forma

As más tendências da natureza humana, desviada pelo pecado original, não demoram a aparecer nas crianças: pequenas irritações, inveja, caprichos, egoísmo precoce etc.

É necessário cuidar dessas tendências com uma ortopedia espiritual firme e severa, que obrigue os filhos a crescerem retamente. Mais tarde é preciso corrigir também o adolescente e o jovem, não com aspereza e paixão, mas sim com suficiente firmeza e energia para não permitir que se extravie pelos caminhos do vício e do pecado.

  1. O castigo de quem ama

Os castigos são inevitáveis no processo de formação humana. É moralmente impossível que a criança, o adolescente ou o jovem não incorram jamais em alguma falta que exija alguma reparação. Cometeriam um erro gravíssimo os pais se deixassem impunes esses erros, que podem destroçar a vida e o futuro de seus filhos.

O castigo, no entanto, para realmente educar e ser eficaz, deve ter, por sua vez, quatro características:

ser sempre oportuno, escolhendo o momento mais propício para ser imposto;

justo, sem jamais exceder os limites do equitativo e do razoável;

prudente e moderado, sem deixar-se levar pela ira ou pela paixão;

caridoso na forma e no procedimento, para que a criança compreenda que é disciplinada para o seu bem.

É o que São Paulo recomenda afinal aos pais, quando lhes escreve: “Pais, não irriteis vossos filhos, para que não se tornem pusilânimes” (Cl 3, 21).

 

Por: Padre Antonio Royo Marín / Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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