Marina adia anúncio de apoio a Aécio

Ex-senadora espera um posicionamento oficial do candidato do PSDB sobre incorporação no programa de governo tucano de pontos caros a ela e ao PSB

Embora a equipe de Marina Silva tenha anunciado que a ex-senadora faria nesta quinta-feira o pronunciamento em que declararia sua posição no segundo turno, interlocutores da candidata derrotada do PSB já descartam essa possibilidade – e não há mais uma data certa para que o posicionamento seja definido. A ex-senadora, segundo aliados, espera uma posição oficial do candidato do PSDB, Aécio Neves, a respeito da incorporação, no programa de governo tucano, de pontos considerados caros a Marina e ao PSB.

Marina Silva
Marina Silva

“Ela quer se pronunciar a partir do momento que a coligação do Aécio concordar ou não com o que vamos oferecer. Ela só se manifestará mediante o posicionamento do Aécio”, explica o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), que disputou a eleição como vice de Marina. Entre os pontos com os quais a ex-senadora quer que Aécio assuma um compromisso estão a reforma política, com fim da reeleição e mandato de cinco anos, o passe livre para estudantes, a escola de tempo integral, um “pacto pela vida” para combater a criminalidade, reforma agrária e a destinação de 10% do PIB para educação.

Segundo interlocutores, Marina vai esperar também a decisão dos partidos que integraram a coligação pela qual disputou a Presidência da República. Representantes das siglas estão reunidos em Brasília, na sede do PSB, para definir os rumos que vão tomar neste segundo turno. Não participa do encontro o PHS, que definirá sozinho o seu posicionamento no segundo turno. Na terça, o PPS já havia declarado apoio a Aécio.

Rede – Após dois dias de reunião, a Rede se pronunciou na noite desta quarta, apoiando o voto a Aécio. Porém, como alguns dos membros do diretório rejeitam o apoio formal ao tucano, a decisão foi de rejeitar, com unanimidade, o apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff e de abrir a possibilidade para votos nulos e brancos. “Decidimos que em hipótese alguma haverá apoio à candidata Dilma. Nós acreditamos que o Brasil tem necessidade de produzir alternância democrática”, declarou o ex-deputado federal Walter Feldman, porta-voz da Rede.  A ex-ministra Eliana Calmon, que é integrante da Rede, resumiu a decisão do grupo. “Eu sou mais pragmática: Não à Dilma, sim ao Aécio, mas com o nosso programa, com os pontos que destacamos. Foi isso que decidimos. Deixando que haja a possibilidade de as pessoas da Rede votarem em branco ou nulo”, declarou. Embora os porta-vozes tenham dito que a Rede não fará campanha para o tucano, Eliana admitiu que poderá participar de eventos de campanha de Aécio. “Se ele for à Bahia eu subo no palanque”, disse.

Após a divulgação da derrota nas urnas, no último domingo, Marina sinalizou um apoio a Aécio Neves, ao dizer que não se manteria neutra, como fez em 2010. Embora não haja definição do posicionamento da ex-senadora, Feldman disse na tarde desta quarta que Marina terá voz no segundo turno. “Ela vai acompanhar ativamente, mas não terá o dinamismo e a profundidade que tem uma candidata”, disse Feldman. Ele, contudo, disse que é a própria Marina quem deve detalhar essa participação ativa, depois de anunciar formalmente sua posição, se de apoiar Aécio ou ficar neutra.

 

 

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