Maçã podre – Por Alexandre Garcia

Alexandre Garcia é jornalista, apresentador, comentarista de telejornais, conferencista brasileiro e colunista político neste site.

Diz a sabedoria popular que uma maçã podre num mesmo saco contamina todas as maçãs. E é verdade. No caso revelado pela Carne Fraca, é como se num contêiner de 10 mil quilos de produto de frigorífico, existam 40 quilos de produtos fora das especificações. A dúvida gera desconfiança e a desconfiança contamina tudo, nos mercados interno(80%) e externo. Produção de alimentos é uma atividade que só se mantém quando o comprador confia na qualidade anunciada. Contaminar o leite com água, uréia e formol tem o mesmo efeito.

Alexandre Garcia – Articulista da Agência “Alô Comunicação” e Escreve para o Portal do Amazonas

O pior é que essa maçã podre está dentro do saco geográfico chamado Brasil. Está tudo contaminado. Serviço público, empresas, instituições e pessoas. O país apodreceu. Rouba-se com a maior cara-de-pau. Investigava-se o mensalão e se operava no lava-jato. Delinquência sem interrupção. Os mesmos que apoiavam o governo corrupto agora fazem manifestações de rua contra as reformas necessárias para corrigir os males que produziram. Pelo menos têm vergonha de portar bandeiras brasileiras. Só levam as vermelhas.

A intimidade entre fiscais sanitários federais e frigoríficos, constatei há 50 anos – e intimidade, como disse certa vez o Presidente Jânio Quadros a uma repórter, pode gerar resultados indesejáveis, inclusive gravidez. No Carne Fraca o que se vê é a fórmula usual de agente do estado corrupto somado a empresário desonesto. E quem recebe a conta é o consumidor, o contribuinte, o país. A podridão do saco de maçã vai muito além de frigoríficos e empreiteiras e o estado brasileiro.

São postos de combustíveis que adulteram gasolina, estatais e fundos de pensão sugados, bancos estatais usados, polícia em greve, alunos reféns de professores com História falsa e ideologias anti-naturais, políticos e partidos mentirosos, febre amarela, dengue, microcefalia; invasores do alheio, saqueadores, assaltantes, degoladores em presídios, assassinos impunes, milhões de contraventores e infratores do dia-a-dia e inércia para não educar, não ensinar, não civilizar, parecendo uma conspiração para destruir e dominar –  que se aproveita de um povo ingênuo, desinformado, futebolizado, manobrável;  e bom, generoso e bem intencionado, dentro do mesmo saco das maçãs podres.

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