Dólar opera em alta e atinge maior patamar desde o final de 2008

Cenário eleitoral afeta mercados e Bovespa opera com forte queda. Na semana passada, o dólar teve alta de 1,82%.

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (29) em comparação com o real, após pesquisa Datafolha mostrar que a presidente Dilma Rousseff (PT) abriu vantagem sobre Marina Silva (PSB) nas intenções de voto para o primeiro turno e passou a ter vantagem numérica sobre a rival no segundo turno. A moeda norte-americana atingiu o maior patamar desde o final de 2008 nesta manhã.

One hundred dollar notes are seen in this photo illustration at a bank in Seoul January 9, 2013. Japan's drive to weaken the yen poses a threat to big South Korean exporters such as Hyundai Motor, but Koreans may benefit as the new president aims to shift policy away from supporting big exporting conglomerates. The yen's tumbling by some 10 percent to the dollar in the December quarter at a time when the won has been on the rise sent the shares of big exporters falling and raised concerns among the policymakers in Seoul. Picture taken January 9, 2013.  To match Analysis KOREA-CURRENCY/  REUTERS/Lee Jae-Won (SOUTH KOREA - Tags: BUSINESS)Perto das 13h15, a moeda norte-americana subia 1,28%, a R$ 2,4469 na venda. No final da manhã, a cotação chegou a superar os R$ 2,45. Veja cotação.

A cenário eleitoral também influencia a bolsa de valores nesta segunda-feira. As ações da Petrobras têm queda de cerca de 9%, e puxam a queda da Bovespa, onde o principal indicador recuava perto de 4% no início da tarde.

“O mercado entrou com todas as fichas numa vitória da oposição e pagou para ver. O que a gente está vendo hoje é a reversão desse movimento”, disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, à Reuters.

“Se isso se confirmar (avanço de Dilma) nas próximas pesquisas, o céu é o limite para o dólar”, afirmou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel, para quem a moeda norte-americana pode ir acima de R$ 2,50 no curto prazo.

O cenário externo também impulsionava o dólar nesta segunda-feira. Investidores evitavam comprar ativos de maior risco por cautela antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos na sexta-feira, levando a divisa norte-americana a subir contra moedas emergentes, como as do Chile e do México.

Em Brasília, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, minimizou o efeito da alta do dólar sobre a inflação.

“Não questionamos o fato de que o câmbio tem repercussão na inflação. O repasse do câmbio para a inflação hoje é bem menor do que era há 10, 15 anos atrás. Houve um aprendizado importante dos agentes econômicos a respeito de como o câmbio flutuante funciona”, afirmou.

“Houve uma aprendizado de como o câmbio pode ir para um lado e para o outro. A intensidade do repasse [da alta do dólar para a inflação] depende do tamanho da variação do câmbio e de quão permanente essa variação é percebida pelos agentes. E também da posição cíclica da economia. Se está em expansão, moderação ou se está em recessão. Admitindo que é volátil, os agentes não estão vendo isso como permanente. É um aspecto relevante do ponto de vista da inflação”.

O dólar fechou em baixa em relação ao real após dia de instabilidade na sexta-feira (26), após ter chegado ao patamar de R$ 2,43 durante o dia, em meio a preocupações com as políticas monetárias dos Estados Unidos e da Europa e com o cenário eleitoral no Brasil. A moeda norte-americana caiu 0,57%, a R$ 2,416. Na semana, a moeda teve alta de 1,82% e no mês, de 7,91%. No ano, há valorização de 2,18%.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também operava em queda nesta segunda, puxada pelas ações da Petrobras, que caíam mais de 9%.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *