Descobri que meu filho está roubando. E agora?

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Como corrigir esta conduta? Que sanções aplicar?

Notar que seu filho abriu sua carteira e pegou dinheiro sem a sua permissão é uma das experiências mais desagradáveis que os pais podem viver. Como uma criança inocente, que brinca e ri,é capaz de fazer uma coisa dessas? A tentação de recorrer ao castigo é fulminante, além de ser compreensível, sobretudo quando se teme que, se o filho não for corrigido a tempo, pode sentir o peso menos carinhoso da justiça quando ele for adulto.

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Alguns pais se frustram, pensando onde teriam fracassado. Outros se culpam, pensando que os filhos lhes enganam porque não se sentem queridos ou não têm a confiança necessária para expor suas necessidades aos pais. E não é raro que a situação gere discussão entre pais e mães, que tentam identificar o “culpado” do “mau exemplo”.

O primeiro passo é manter a calma

O fato de uma criança ou um adolescente roubar seus pais é algo que pode acontecer por diversos motivos durante o desenvolvimento evolutivo. A criança está evoluindo no plano moral e passa por etapas diferentes, em que aprimora a sua capacidade de raciocínio e de responder por suas condutas. Não se pode criminalizar uma criança de quatro anos que pegue algo que não lhe pertença. Também não se pode compará-la a um adolescente que rouba seus pais por rebeldia.

A psicologia evolutiva demonstra que, até os seis anos mais ou menos, a criança ainda não tem uma consciência muito clara sobre a moral. Mas isso também depende de cada criança, de seu caráter e sua maturidade. Nesta etapa, os pequenos imitam comportamentos, buscando a adaptação com o ambiente e copiando os modos dos outros.

A partir dos sete anos, geralmente há um desenvolvimento cognitivo suficiente que permite uma maior consciência dos próprios atos e do valor e implicações morais dos gestos e atitudes.

Não condenar a criança

Depois de compreender esta escala evolutiva da educação moral, é importante nunca qualificar moralmente a criança, principalmente quando ela tem pouca idade. Nunca se deve chamar um menino de “ladrão”, mas, sim, estimulá-lo a melhorar seu comportamento, para que seja uma pessoa melhor.

O mais importante, sempre, é a educação preventiva. Ou seja: é preciso educar nos valores do respeito e da sinceridade para que a criança tenha as motivações internas necessárias para evitar esse tipo de comportamento e, sobretudo, para se sentir mais motivada a distinguir o bom comportamento dos estilos de vida negativos.

Educar na autonomia moral

Como uma criança aprende os valores morais? Em princípio, por imitação. Depois, de acordo com a inteligência que vai desenvolvendo e, graças à interação com os diversos contextos sociais (escola, família e amigos), a criança vai chegando, pouco a pouco, à verdadeira autonomia moral e à capacidade de juízo pessoal.

Portanto, a chave principal para educar nos valores está, em primeiro lugar, na família: os valores devem ser vividos em casa, antes de serem verbalizados em uma explicação para as crianças. Elas não têm falsidade: se virem que seus pais têm uma relação ambígua com a honestidade em relação ao dinheiro, o filho imitará a conduta que vê, ao invés de interiorizar a conversa que recebe.

Em segundo lugar, a escola deve reforçar esses valores. Na adolescência, a crise acontece quando entra um “terceiro convidado” não esperado no menu da educação, que é o grupo de amigos. O impacto do grupo sobre os próprios comportamentos também é determinante para o futuro do adolescente.

Portanto, o castigo deve ser proporcional à sua capacidade de autonomia moral. É preciso tratar um adolescente já como um pré-adulto: convém explicar-lhe, de maneira contundente, as implicações e consequências do ato de roubar ou furtar, inclusive no âmbito legal. Para uma criança, a explicação deve ser adaptada ao seu nível de compreensão, explicando-lhe que isso é ruim e não se faz.

Em todos os casos, é muito importante que os castigos sejam educativos. O primeiro passo será sempre devolver o que foi roubado. Mas não é o suficiente: há que se pensar em pequenas sanções que podem ser aplicadas em casa para que as crianças e adolescentes entendam que todo ato tem consequências.  Por exemplo, se a criança roubou uma quantidade de dinheiro, além de devolver, terá que fazer de tudo para conseguir o dinheiro roubado, a fim de que ela entenda o prejuízo que este tipo de ação provoca nas pessoas.

O objetivo da educação é ajudar os filhos a ser maduros, felizes, seguros de si e a ter respeito para com os outros, que é a base do bom respeito para consigo mesmo. Uma boa educação buscará sempre estimular comportamentos que possam ser imitados e admirados por todos os educadores e pessoas de bom valor.

O que os adolescentes, que já têm um nível de inteligência completamente desenvolvido, menos precisam são grandes sermões, mas a certeza da proximidade dos pais e a constante confirmação do afeto dele para com os filhos.

Quando o roubo esconde outros problemas

Quando tudo o que abordamos for suficiente e a criança ou adolescente continua roubando, convém entrar em contato com algum psicólogo ou um especialista em educação e psicologia evolutiva, que vai analisar com mais profundidade as causas e poderá intervir de maneira eficaz.

Normalmente, por trás de comportamentos compulsivos de roubo ou hábitos rotineiros de roubo há a necessidade de preencher vazios afetivos, baixa autoestima, necessidade de possuir o que os outros possuem, problemas de insegurança, comportamentos antissociais ou dificuldades de adaptação social.

As mentiras, as tendências ao roubo e as atitudes de rebeldia nos adolescentes costumam ser manifestações da necessidade que eles têm de encontrar o próprio espaço e de autorrealização. Eles precisam de atenção e compreensão por parte dos educadores e pais, sabendo combinar a exigência e o diálogo na difícil arte de educar.

Diante das situações de roubo ou mentiras, é importante que os pais e educadores tenham a capacidade de dialogar para perguntar aos filhos o motivo de tais ações. Um diálogo construtivo é indispensável para estimular os filhos a adotarem valores e condutas corretas, sem se limitar ao medo das sanções e condicionamentos externos.

Artigo realizado em colaboração com Javier Fiz Pérez, psicólogo, professor de Psicologia na Universidade Europeia de Roma, delegado para o Desenvolvimento Científico Internacional e responsável da Área de Desenvolvimento Científico do Instituto Europeu de Psicologia Positiva (IEPP).

 

Com Informações da Aleteia

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