Criação de empregos é a menor para abril em 15 anos

País gerou 105,3 mil vagas com carteira assinada, abaixo das expectativas dos analistas

BRASÍLIA – O Brasil criou 105.384 empregos com carteira assinada em abril, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). É o menor resultado para um mês de abril em 15 anos. A geração de vagas foi 46,48% menor na comparação com mesmo mês de 2013, na série sem ajuste. Já entre as vagas ajustadas, o que inclui dados repassados por empresas fora do prazo dado pelo Ministério do Trabalho para que elas informem contratações e demissões, o recuo foi de 95,89%.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, minimizou o resultado. “Vamos fechar este ano melhor que o ano passado”, disse, ressaltando que no acumulado do ano foram geradas 458.145 vagas. Ele manteve a perspectiva oficial de geração de até 1,5 milhão de empregos neste ano, como parte da meta do governo Dilma Rousseff de encerrar seus quatro anos com o total de 5 milhões de vagas criadas.

Dias colocou na conta a geração de vagas para a Copa, que, segundo ele, começaram a ser realizadas em maio e deverão se manter no setor de serviços após o mundial de futebol. “Certamente teremos um mês de maio melhor (do que abril), porque boa parte do emprego para a Copa será feita nesse mês”, disse.

O otimismo do ministro foi questionado com base no número da indústria de transformação. O setor havia gerado 47.040 vagas em abril de 2013, segundo os dados ajustados do Caged, e encerrou o mesmo mês neste ano com a demissão de 3.427 trabalhadores. Dias argumentou que a redução é resultado do “pleno emprego” atingido no País, o que teria como efeito colateral fazer com que as gerações de novos postos de trabalho sejam menores. “Não vamos ficar com essa situação de pleno emprego mantendo a média de crescimento espetacular que tivemos no passado”, afirmou.

Setores. O setor de serviços foi responsável pela maior parte dos empregos gerados no mês passado – 68,8 mil. No agronegócio, foram admitidos 14.052 trabalhadores do setor no quarto mês deste ano. O MTE afirma que o resultado foi puxado pelas atividades de cultivo de café e cana-de-açúcar, que compensaram demissões verificadas nos segmentos da soja e frutas. No comércio, foram criadas 16.569 novas vagas.

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