Caprichoso aposta nos “Coreógrafos Caboclos” para o Festival 2017

Foto: Divulgação

Parintins – Ritualísticos, cênicos, espetaculares e de tirar o folego. Uma mistura de dança, artes visuais, teatro e música que exige o domínio do corpo, o equilíbrio e o movimento. Nesse contexto, as coreografias do Boi Caprichoso passaram a fazer a diferença principalmente nas apresentações tribais.

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Há 16 anos, o coreografo Jair Almeida, acompanha a evolução do Festival de Parintins. Na década de 90 a beleza das tribos estava apenas nas plumagens. “A partir de 1996, as tribos começaram a evoluir na arena com as coreografias. Lembro que foi com as toadas Réquiem e Mundurucânia, do compositor Ronaldo Barbosa” recorda.

O universo da dança, passou a fazer parte do Caprichoso evoluindo com os conhecimentos técnicos, sem perder a essência dos caboclos e indígenas.

“Era muito limitado, nós trouxemos o contemporâneo, o moderno e o clássico, sem perder nossa tradição, através de dançarinos profissionais, com os quais aprimoramos nossas técnicas”, explica Almeida.

Para ele os dançarinos são artistas comparados aos que fazem alegorias. “Os artistas transformam seu conhecimento empírico, da floresta, do cotidiano caboclo em alegorias, assim é na dança o conhecimento empírico dos nossos coreógrafos é moldado dessa forma”, ressalta.

O conhecimento universal possibilitou a formação de interpretações, de pássaros, repteis, lendas, crenças, materializadas através do corpo.

“Daí vem a inovação do Caprichoso. De que forma fazer um pássaro se a gente não voa? De que forma fazer uma garça andando se precisamos da leveza dela, é onde entra o conhecimento técnico na postura, no equilíbrio, no giro e saltos dos animais, nós agregamos esse conhecimento universal “, enfatiza.

Ele responde aos questionamentos da inovação que segundo o coreógrafo é baseada na natureza que não é limitada. “Como o boto dança? Existe uma cobra?? Como ela rasteja? Como se transforma em duas? Como ela se transforma em chama? Na nossa loucura transformamos esse diálogo com o nosso corpo. Isso é dança, é contar a nossa cultura, indígena, cabocla através do corpo”, enfatiza.

No que se refere a coreografias de ritual, Jair afirma que exige mais, estudo e pesquisa. “Fazemos uma adequação para mostrar a cultura indígena no caboclo, mantemos a tradição do bailado contando o auto do boi e dentro das lendas fazemos as inovações”, conta.

A inovação do Caprichoso acabou sendo seguida pelo boi contrário. “ O Caprichoso deu os primeiros passos com dançarinos que voam, que rastejam e pode ser comprovada por filmagens nos últimos festivais Criticaram, mas agora estão fazendo o mesmo. Acho importante, assim evoluímos o Festival”, ressaltou.

Almeida vai mais além, é diz que os dançarinos ousados não usam lanças e nem cabos de aço para provocar delírio na galera. “ Existe o elemento surpresa, não entro em detalhes, mas teremos um terceiro elemento que ainda não foi apresentado”, revela o coreografo.

É desta forma inovadora que o Caprichoso pretende imprimir maior dramaticidade, alegria, surpresa, espanto, enfim, diferentes emoções, quando se trata de coreografias.

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