Bolsonaro diz que médicos cubanos têm situação de quase escravidão e reitera promessa de asilo

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse, nesta sexta-feira (16), que os médicos cubanos que trabalham no Brasil por meio do programa Mais Médicos são submetidos a situação de quase escravidão, e reiterou que aqueles que pedirem asilo político no Brasil serão atendidos por seu governo.

“É uma situação de praticamente escravidão que estão sendo submetidos os médicos e as médicas cubanas no Brasil. Imaginou confiscar da senhora 70 por cento do seu salário?”, disse Bolsonaro a jornalistas em entrevista coletiva durante visita ao 1º Distrito Naval, no centro do Rio de Janeiro.

“Cubano que pedir asilo aqui justifica, no meu entender, pela ditadura da ilha, terá o asilo concedido da minha parte”, acrescentou.

O governo cubano anunciou na quarta-feira que vai retirar todos os médicos do país que participam do Mais Médicos depois que Bolsonaro afirmou que vai modificar os termos da iniciativa e estabeleceu condições ao governo cubano.

Nesta sexta-feira, Bolsonaro repetiu as exigências e afirmou ter ouvido “barbaridades” sobre os médicos cubanos.

“Eu não sou presidente ainda, mas se fosse exigiria isso. Um Revalida presencial, assistir o médico atender o povo, porque o que nós temos ouvido, de muitos relatos, são verdadeiras barbaridades”, afirmou. “Queremos o salário integral e queremos o direito a trazer a família para cá. Isso é pedir muito?”.

Como parte do programa Mais Médicos, os profissionais de Cuba ficam com 25 por cento dos mais de 3.000 dólares pagos pelo Brasil à ilha por cada médico por mês, com 75 por cento ficando com o governo de Havana.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) lamentou a decisão de Cuba e afirmou que a situação pode levar a um “estado de calamidade pública” em regiões brasileiras onde há escassez ou até ausência de atendimento médico. Segundo a CNM, 1.575 municípios atendidos pelo Mais Médicos contam apenas com médicos cubanos, que atendem em todo o Brasil mais de 28 milhões de pessoas.

“Nesse sentido, a CNM aposta no diálogo entre as partes para os médicos cubanos permanecerem no país pelo menos até o final deste ano ou, se possível, por tempo maior a ser acordado entre os dois países”, afirmou a confederação na quinta-feira em comunicado.

Para substituir os 8.332 médicos cubanos que deixarão o país ainda este ano, o Ministério da Saúde realizará edital para selecionar profissionais brasileiros, que devem ser convocados ainda em novembro, informou a pasta em nota.

O ministério realizará reunião com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) nesta sexta-feira para finalizar a proposta do edital.

 

 

Texto: Reuters

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